Fotografia, ocupação e transição

As ruas não são vias onde somente veículos transitam de um lado para o outro, elas são ferramentas poderosas de ocupação artística, onde o objetivo não é dar respostas, mas criar elementos para o questionamento através da propagação de ideias. É neste território, nas veias da nossa cidade, que penso que a fotografia deve estar.

Acredito cada vez mais nesse tipo de trabalho que ocupa a cidade como um todo, não só no ato fotográfico mas também na entrega de algo maior para a sociedade, nesse sentido, tenho acompanhado o trabalho do Jr, artista francês, que cola fotografias em preto e branco em locais públicos. Em 2018, Jr e a cineasta Agnès Varda formaram uma dupla dinâmica, apaixonada por imagens, e como elas são compartilhadas, e lançaram o documentário chamado Visages, Villages que é super recomendado para quem está passando por essa pesquisa. 

Também gostaria de deixar registrado nesse post a resposta do artista sul-africano William Kentridge, ao jornal El País, sobre o que faz com que uma obra seja percebida como verdadeira?

“Se você dá a mesma fotografia a duas pessoas, cada uma dirá coisas diferentes. Isso significa que só podem estar falando de si mesmas. Não veem a fotografia, veem a si mesmas. Por isso uma das funções do artista é lembrar o espectador que quando olha uma obra não está vendo uma verdade, mas uma projeção.”

Pra mim é nítido que estamos vivendo um momento de transição na história da fotografia, que por sinal é muito recente, essas mudanças estão vindo de forma avassaladora, o “instante decisivo” já está sendo substituído por alguma outra coisa que ainda não sei o que é, no passado essa transição engoliu a gigante Kodak e agora vai engolir milhares de profissionais rasos que estão com seus perfis decalcados no Instagram e Facebook.

Wagner Roger - New York, 2018.

Wagner Roger - New York, 2018.