Foto: Divulgação

Na fotografia se discute muito sobre o posicionamento ético dos fotógrafos frente a cenas extremas da humanidade, um dos casos mais conhecidos é o do fotógrafo, sul-africano, Kevin Carter que fez a famosa fotografia de uma criança desnutrida prostrada enquanto um abutre espera pela sua morte.

É muito difícil dizer se a ação do fotógrafo, de fazer o clique antes de ajudar a criança, foi certa ou errada, se trata de uma opinião que vem acompanhada das nossas crenças e praticas morais, por isso, numa análise como fotógrafo, paira a dúvida se deve-se interferir ou não em uma cena de outra cultura ou numa situação extrema como essa.

A imagem de Kevin, que denunciava a tragédia no Sudão, se observada pela ótica da ética, pode ser considerada certa e errada. Certa, pela sua utilidade como denuncia de algo ruim que a sociedade finge não ver e que pode ajudar a evitar muitas cenas como essa.

É errada, se observa que o fotógrafo, em vez de fazer a foto, deveria estar ajudando a criança a se defender.

Cabe ressaltar, que o fotografo se suicidou após repercussão negativa desse trabalho.

Quando imagens como essas se espelham pelo mundo nos deparamos com outro problema, o do uso indevido e sem autorização das fotografias, seja pelos grandes canais de comunicação ou por pessoas comuns que utilizam de diversas maneiras trabalhos como esses.

Recentemente uma fotografia de minha autoria entrou para essa lista de imagens utilizadas sem consentimento algum do autor, o retrato do roqueiro Serguei com 85 anos foi amplamente explorado após o seu falecimento.

Fui o último fotógrafo a fazer uma sessão com o cantor, são imagens em um fundo branco que compõem uma série de fotos minhas sobre artistas brasileiros, que ainda está em fase de execução.

Com a morte de Serguei centenas de pessoas e veículos de comunicação se apropriaram e utilizaram das minhas fotografias sem autorização, fizeram isso para ilustrar matérias e postagens sobre esse fato.

Entre todos esses casos o único veículo de comunicação que entrou em contato comigo solicitando a utilização da fotografia foi a revista parisiense Lofficiel Hommes, que fez uma matéria especial sobre o artista na sua edição impressa no Brasil. Os demais veículos creditaram a imagem como de autoria de “Divulgação”, “Reprodução”, “Arquivo”, “Reprodução” e “Facebook” entre outras expressões utilizadas para justificar a falta de ética dos jornais com relação ao trabalho desenvolvido pelo fotógrafo.

Essa prática antiética e ilegal parece ser muito comum dentro dos jornais e revistas, quando não se sabe quem é o autor de determinado conteúdo se justifica dessa maneira, como Foto: Divulgação.

Em casos como esse, vivemos um momento onde a questão ética está sendo testada em seu limite, pois enquanto for útil para o meio que esta divulgando vale a pena caminhar por essa linha tênue do que é legal e ilegal.

As leis ainda estão se adaptando às mudanças tecnológicas impostas nos meios de comunicação, nesse contexto, fica difícil ter um processo automático de regulação assim como fica complexo entender o sentido das questões éticas, as quais são afetadas diariamente pelos comportamentos dos agentes nesse mundo atual.

Assim, conclui-se que a relação entre utilitarismo e ética precisa ser repensada frequentemente, inclusive quando se têm mudanças permanentes e abruptas na sociedade e economia.

Foto: Divulgação

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