Rumores: investimentos na fotografia

Entre os fotógrafos é muito comum euforia antes do lançamento de um equipamento, há aqueles que idealizam recursos fantásticos, os que discutem possíveis preços que o produto pode chegar no mercado brasileiro, os que querem criticar, tem também quem somente quer comparar com produtos da concorrência, em fim, posso listar dezenas de reações aos rumores de novos equipamentos, e um dos fatores dessa empolgação é porque, muitas vezes, o fotógrafo que é profissional também é um grande amante da fotografia, que usa os mesmos equipamentos de trabalho em seus projetos pessoais. 

Comecei falando sobre isso porque ultimamente estou pensando que investir muito dinheiro em equipamentos não seja a melhor escolha no longo prazo.

Sou da geração que começou a fotografar com digital mas como as minhas raízes estão no desenho e pintura sempre soube da importância de revelar e imprimir as minhas melhores fotos. Pra quem não conhece existem vários processos de impressão e revelação fotográfica, os preços variam muito por conta da margem de lucro e oscilação da nossa moeda, mas em Curitiba, uma impressão em papel 100% algodão com pigmentos minerais, nas medidas 60x90cm, está custando cerca de R$ 350,00. Seguindo na contra mão da ditadura do digital outros processos de impressão que também me despertam interesse são Platinotipia, Cianotipia, Van Dyke e Colódio vale a pena vocês pesquisarem sobre eles também.

Pensando no longo prazo, impressões como essas podem durar centenas de anos sem qualquer alteração, já os equipamentos que tanto amamos, saem de fábrica com a sua obsolescência programada.

É aqui que fica a questão, sabendo disso, não estamos investindo nosso dinheiro no lugar errado?

Ah, mas dai você vai me dizer que sem tal câmera não é possível fazer tal foto. Sim, de fato para alguns trabalhos específicos você vai precisar de alguns equipamentos com recursos especiais, mas nesses casos podemos simplesmente alugar o equipamento para executar o trabalho e poupar os recursos, de uma compra, para viagens ou impressões das suas melhores fotos por exemplo.

Comecei a pensar nessas questões quando percebi que uma viagem ao exterior, que eu ainda não tinha feito, custava menos que um equipamento que eu carregava na mochila sem nem usar direito. Como muitos de vocês sabem eu moro na zona sul de Curitiba, isso basicamente significa que moro na periferia em uma região com o pior IDH da cidade, ou seja, comecei a ter condição financeira de fazer as minhas primeiras viagens somente depois dos 28 anos. Hoje, quando começo a pensar em tudo isso, vejo que cada vez mais não fez sentido algumas das escolhas que fiz quando iniciei na fotografia e é por isso que estou escrevendo esse post, para que você não cometa os mesmos “erros” que eu.

Vou tentar resumir essa relação que fiz entre esses 3 investimentos. Impressões de boas fotografias valorizam a cada ano que se passa, é como aquela expressão do mundo dos negócios “Buy And Hold”. As viagens é um dinheiro gasto mas que te enriquece culturalmente e te da bagagem para ser mais criativo nesse mundo tão competitivo. Os equipamentos, é aquele tipo de investimento que não supera a Selic é como comprar carro financiado, se compra por 50 se paga 80 e vende-se por 25.

Se você está pensando em entrar na fotografia, equipamentos também são nossas ferramentas de trabalho, por isso, é necessário que exista um mínimo de investimento para trabalhar nessa área, mas lembre-se, hoje em dia todas as pessoas carregam uma câmera no bolso mas poucas tem cultura e criatividade suficiente para tirar ideias do papel e viver de arte.

Wagner Roger

Wagner Roger